APENAS UM HOMEM CUJO SONHO FOI AMAR E SER FELIZ

sábado, 10 de março de 2012

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS


 

 

O emaranhado novelo da minha memória,
deparo na escuridão dos nós cegos.
Puxo uma ponta de fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que não se desfaça
entre os dedos.
No fio longo, sinto sua presença, mas você
corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas,
e de repente não sei se as águas nascem de mim,
ou para mim fluem.
Continuo a puxar, e não há memória apenas, mas as
águas transformam-se em um grande e caudaloso rio.
Sobre ele navegam barcos, mas no céu que os cobre,
é uma única lágrima, que escorreu de meu rosto.
Nele o reflexo de tua imagem,
mas correnteza te leva embora.
Tento segui-la inutilmente, as águas vão levando
consigo o que tinha restado de tudo.
Sinto a força dos braços nas ondas que se prolonga.
No fundo do rio e de mim, desce como um lento e
firme pulsar do coração.
Quando num largo espaço me detenho, o meu
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade  e em lembranças confusas
da memória. O vulto subitamente anunciado do
futuro, anunciava o fim, e nada mais restava.



 

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