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O que fazer ?
das lembranças
do cheiro,
da voz,
do toque,
dos olhos,
dos risos,
das viagens,
das imagens?
O que fazer ?
das lembranças
do abraço,
das mãos,
do carinho sutil,
do carinho voraz,
do banho,
do café da manhã,
da novela preferida,
e inacabada?
O que fazer ?
da música escolhida,
do beijo prolongado,
do beijo roubado,
do amor na sala, no quarto?
O que fazer ?
quando o telefone toca
e do outro lado não se ouve
mais a mesma voz?
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O que fazer ?
das mensagens enviadas
dos e-mails escritos,
dos sentimentos impressos,
dos presentes guardados?
Mas o que fazer
também com as ofensas do amor?
O que fazer ?
com a sensação de culpa,
com o fracasso,
com a impotência,
com a incoerência?
O que fazer ?
dos sentimentos revirados,
transformados,
do ódio repentino,
do amor estilhaçado,
quebrado, tantas vezes remendado?
O que fazer da ausência que se sente?
Ausência de paz,
ausência da ausência,
ausência de si mesmo?
O que fazer ?
Talvez o tempo se encarregue
de apagar as lembranças,
de mudar o cenário,
de reinventar o passado...
Mas por hoje,
não sei o que fazer com tudo isso...
Eliane Azevedo |